Mais além do seu veneno
Cansei de levar tapa na cara
Já não tem mais espaço pras competições sem prêmios
Eu não sou um troféu pra ocupar sua estante
E nem estou em busca do título de melhores amigos
Não quero mais ser o sorriso na foto que lhe enfeita a prateleira
Desculpa se eu sou aquela espinha que lhe entala a garganta
Que se recusa a jogar com suas regras
Mas estou polindo o meu caráter
E não passo por cima de sonhos, pra construir meus ideais
Se mudei, pergunte-me se tive motivos?
É mais fácil ser a pobre coitada , marionete,
Que eu, insana, guardei na caixa de brinquedos usados
Tão bondosa, piedosa, dedicada, admirada por todos, tão bela...
E eu tão malvada, que só faço te magoar
Numa guerra utópica criei aliados de nuvens
Renega meus feitos, zomba dos meus atos, esquece o passado....
O presente é tão mais bonito e popular, não acha? ....
Sua versão é tão mais cinematográfica,
Capaz de levar sua platéia de ovelhas nobres aos prantos e a indignação
Não me venha com intimidades,
Não seja tola a ponte de não perceber essa barreira entre nós
Que talvez por falta de força, ou mesmo vontade, não estou disposta a destruir
Eu não sou um objeto seu, e lamento se a minha independência tanto lhe afeta
Não queira me manter presa aos seus devaneios, não mais tenho obrigação de aturá-los
Não me intime por terceiros, não sou tão cruel assim
Acalme-se, juro não lhe morder
Pode me usar como degrau pra chegar a aquilo que consideras o topo
Prometo não lhe dificultar sua caminhada, ao contrário ,
Se puder me distancio e lhe dou motivos, como cartas marcadas em seu baralho
Para galgar seu sucesso....
Sorria, tenha segredos, faça festas, assuma a posição de pobre menina recatada
Talvez assim, as conquiste mais rápido
Faça sua dança das palavras, para que nunca se entrelacem na minha versão dos fatos
Estarei na platéia aplaudindo sua plausível e talentosa atuação
Não precisa mais criar intrigas, estou fora do jogo, seu jogo...
Se é que algum dia estive dentro, acho que minha memória bloqueou alguns dados
Já ouvi que as pessoas são complicadas e nem todas valem a pena
Talvez eu não tenha valido a pena, talvez não tenha significado, quem se importa?
Meu álibi já não é suficiente as suas vontades
E meu altruísmo, não cabe em suas recordações
Desculpe-me se não lhe dei a solução para todos os seus problemas
Talvez estivesse ocupada com algum problema meu,
Que talvez você estivesse deveras alienada pra conseguir percebê-lo
Afinal sempre fui tão forte e você tão frágil,
Porque deveria desviar a rota de suas preocupações e direcioná-las a mim?
A fortaleza desmoronou, quis o mundo e tentou jogá-lo no lixo,
Como um papel rabiscado que já não tem mais serventia
Mas você tava tão distante que não pode perceber
E mesmo assim, depois de tanto tempo você me procurou
E eu, me fechei na minha concha, onde não te deixei entrar
De lá, atirei pedras...e lhe deixei tão só....
Por Deus, como pude ser tão cruel
Um dia eu ei de pagar por todas as injustiças, crueldades e julgamentos errôneos
E você, muito piedosa e virtuosa irá me perdoar, garanto!
Mas por enquanto fico por aqui, no paraíso dos incapazes,
Afinal, meus estômago, condenado, se revira a cada ato seu.
Alguém me disse que me afastando assim terminarei tão sozinha...
É, talvez a solidão me baste....
E seja melhor do que suas doses homeopáticas de letargia e egocentrismo
Mas quando precisar, Cuidado!
Talvez meus ouvidos estejam cansados de te esperar falar.....
